Obesos, cheguem aqui pra um conversê!

Ilustração de homem obeso, com feição brava, mãos em posição de briga, vestindo camiseta branca com dizeres em espanhol "não sou gordo, sou forte"

Ilustração de homem obeso, com feição brava, mãos em posição de briga, vestindo camiseta branca com dizeres em espanhol “não sou gordo, sou forte”

E lá fui eu ao teatro ver a peça 220V, do ator Paulo Gustavo, em Paulínia.
Minha mãe, super fã dele, me fez varrer a internet atrás de informações e, em geral, quando o deficiente não acha informações que precisa de lugar especial  para PcD (Pessoa com Deficiência) a conduta normal é ir até a fonte. Ou seja, o teatro!
Sim, mamãe parou o dia dela e foi dirigindo até Paulínia, pra ver como é que era. Normal até aí, afinal a necessidade é minha e quem tem que ir se informar sobre acesso sou eu. Sim, por que eu sei que sem a minha necessidade de acesso, conforto e segurança serem atendidas eu tô é frita. Se o teatro não tiver acesso, a gente coloca a boca no mundo e briga por ele, mas pra saber se tem e, pra exigir respeito, a nossa parte tem que ser feita.
Tendo esses pontos em mente, leiam o que aconteceu nesta noite:
Cheguei ao teatro e não tenho um “a” sequer a reclamar dos funcionários e de acesso, porém… cheguei no lugar que comprei, destinado a PcD’s, em uma das laterais do teatro e que tem de largura tamanho apenas para uma cadeira de rodas e uma cadeira (móvel destinada ao acompanhante) e me deparei com uma senhora obesa, ocupando mais da metade do lugar (não é exagero, ela era grande mesmo!), sentada na cadeira de acompanhante e, mesmo me vendo, não moveu um músculo para sair do lugar que era meu. Até aí seria apenas uma questão de educação, facilmente contornada. Mas não era…
O funcionário do teatro que nos acompanhou até o local reservado (procedimento de segurança comum nesses locais e eventos com muita gente) pediu gentilmente que ela saísse de lá, já que o local era meu e que a levaria até a poltrona que ela comprou caso não a tivesse encontrado. A resposta foi que a poltrona dela era “x”, mas ela queria e necessitava de poltrona para obesos. Eu e minha mãe nos entreolhamos chocadas. O funcionário fez o trabalho dele e, na minha opinião até mais do que isso, pois até 10 segundos antes da peça estava deslocando pessoas de seus lugares para que ela sentasse em poltrona especial e na categoria que pagou, já que havia poltrona adequada vazia em categoria inferior.

A ilustração mostra dois homens que estão lado a lado, em frente a um grande lance de escadas, de costas para nosso angulo de olhar. A direita, um obeso, careca, com vestes que lembram um uniforme de polícia com uma faixa de munição sobreposta a roupa. A esquerda, um homem em cadeira de rodas, com vestes similares ao outro, com uma mochila passando por um dos ombros e apoiando sobre encosto da cadeira.

A ilustração mostra dois homens que estão lado a lado, em frente a um grande lance de escadas, de costas para nosso angulo de olhar. A direita, um obeso, careca, com vestes que lembram um uniforme de polícia com uma faixa de munição sobreposta a roupa. A esquerda, um homem em cadeira de rodas, com vestes similares ao outro, com uma mochila passando por um dos ombros e apoiando sobre encosto da cadeira.

Sim, essa senhora com consciência de seu tamanho e suas necessidades conhece seus direitos, mas não seus deveres!
Em primeiro lugar, ela deveria se informar antes e comprar o local correto para ela e se, no site ou ponto de venda, a compra desses lugares específicos fosse travada (caso das PcD’s), ir até a bilheteria. Além disso, se, mesmo consciente de suas necessidades especiais, não comprou local adequado, ela jamais deveria comodamente sentar no lugar de alguém que escolheu (o site e pontos de vendas permitiam a escolha) e pagou por aquele lugar, mas se dirigir até a bilheteria para acionar um remanejamento sem importunar tantas pessoas.
Não estou aqui falando daqueles casos que a poltrona é pequena mesmo, não dá pra prever e alguém com uns kilos a mais já sofre, mas de obesos reconhecidamente grandes que sabem que precisam de poltronas diferentes. Pra esses fica meu pedido e meu recado: reconheçam e respeitem o fato de possuírem uma necessidade especial, não é vergonha nenhuma!

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